Amigos, paz!
Este texto foi apresentado em preparação à Semana de Prevenção das DST/AIDS que será organizada pela Pastoral da Saúde da Paróquia segundo as orientações da CNBB.
No dia dessa conferência (26/10//10), contamos com inúmeros membros de outras pastorais, além dos agentes da Pastoral da Saúde.
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A sexualidade humana no contexto homem-mulher, co-participantes da criação divina
Pe. Marcio Tadeu
Quando reportamos nossa reflexão à sexualidade, refletimos, na verdade, o dinamismo do Amor, a maneira como a comunicação criadora se manifesta nos limites da criação. A sexualidade representa uma dimensão original do homem e, por isso, é importante refleti-la com mais intensidade.
Assim, partimos da criação do homem-mulher, que é um ser complexo, como todos os outros seres criados, e não pode ser reduzido à simplicidade do Criador, pois se manifesta polarizado (homem-mulher), dentro da unidade criadora.
Tem-se, então, que a relação que quebra a polarização e aproxima os seres humanos na imitação da divindade é o encontro, a sexualidade, que possibilita ao homem imitar, dentro dos limites de criatura, a perfeita comunicação entre as pessoas da SS.ma Trindade.
O levantamento do autor sagrado do livro do Gênesis aponta a semelhança do homem-mulher a Deus, e pode facilitar nossa compreensão da sexualidade como na tese acima. Mas, por um lado, pode decorrer em grande engano, pois, mesmo semelhantes ao Criador, entre nós e Deus há um abismo intransponível, como entre o tudo e o nada.
Contudo, a relação entre Deus e a criatura se apresenta como um "eco" da relação interna, da SS.ma Trindade, que se caracteriza numa íntima fecundidade. O Próprio Espírito Santo vem em auxilio do homem-mulher para recompor a imagem teleológica impressa na criação por Deus e restabelecer a fecundidade trinitária na práxis (existência deontológica).
Para que isso verdadeiramente aconteça, o homem-mulher deve assumir constitutivamente o amor dentro da vontade divina, a fim de realizá-la em plenitude, possibilitando que homem e mulher se encontrem como imagem e contra-imagem e vice-versa, e se realizem na semelhança criadora.
Do interior da natureza humana emerge a diferenciação sexual, que constitui no homem-mulher uma unidade dual. Ninguém é feito separadamente, juntos, homem e mulher devem se realizar e celebrar sua imago Dei (teleológico). Por isso, o homem e a mulher não podem deixar de tender-se um ao outro (deontológico). A sexualidade é uma tensão colocada pelo próprio Criador que oportuniza a experiência relacional na humanidade, e faz brotar a fecundidade co-criadora do homem-mulher (dimensão unitiva-reprodutiva).
Ainda, é importante ressaltar que a união sexual elimina a experiência da criatura em si, inata no ser humano. Esta união revela a obrigação do "sair de si" e, dentro da ordenação criadora, encontrar-se com sua contra-imagem para, assim, celebrar o amor trinitário na condição de criatura (dimensão sacramental).
A compreensão do mistério da fecundidade humana reflete a qualidade da fecundidade divina, que cria o novo. O ser humano, deferente dos animais e plantas, porque produz, em sua fecundidade, algo singular, irrepetível, outro ser humano, imagem e semelhança de Deus.
Partindo dessa compreensão, leva-se luz às trevas equivocadas que muitos cristãos criam acerca do pecado original, acreditando que ele estaria ligado ao ato sexual de Adão e Eva. O encontro sexual homem-mulher faz com que eles se aproximem da qualidade divina da criação, tornando-os co-criadores.
Ao repensar nossa vida aos moldes do criador, devemos ver como anda nossa sexualidade. Hoje, ela parece não estar mais vigorosamente envolvida pela totalidade da criação divina, já que, na maioria das vezes, tem sido confundida apenas com o ato sexual. Desta forma, o ato humano de comunicação plena, fornecido a nós por Graça, que deveria ser eco da relação inter-Trinitária, fica reduzido ao estado de vontade, poder e dominação, “coisificante”.
Deus nos chama a redimir a nossa sexualidade e, conseqüentemente, toda sexualidade humana. O sacramento do matrimônio manifesta essa redenção unitiva e reprodutiva, pois imita o mistério do casamento de Cristo com a Igreja. Por isso, homem e mulher devem viver esse mistério, e contemplá-lo em sua totalidade a fim de encontrar a plenitude de sua sexualidade, o Amor.
SELEÇÃO CARTA ENCÍCLICA “HUMANAE VITAE”
Paulo, PP. VI
Inseparáveis os dois aspectos: união e procriação
12. Esta doutrina, muitas vezes exposta pelo Magistério, está fundada sobre a conexão inseparável que Deus quis e que o homem não pode alterar por sua iniciativa, entre os dois significados do ato conjugal: o significado unitivo e o significado procriador.
Na verdade, pela sua estrutura íntima, o ato conjugal, ao mesmo tempo que une profundamente os esposos, torna-os aptos para a geração de novas vidas, segundo leis inscritas no próprio ser do homem e da mulher. Salvaguardando estes dois aspectos essenciais, unitivo e procriador, o ato conjugal conserva integralmente o sentido de amor mútuo e verdadeiro e a sua ordenação para a altíssima vocação do homem para a paternidade. Nós pensamos que os homens do nosso tempo estão particularmente em condições de apreender o caráter profundamente razoável e humano deste princípio fundamental.
AOS SACERDOTES
28. Diletos filhos sacerdotes, que por vocação sois os conselheiros e guias espirituais das pessoas e das famílias, dirigimo-nos agora a vós, com confiança. A vossa primeira tarefa - especialmente para os que ensinam a teologia moral - é expor, sem ambigüidades, os ensinamentos da Igreja acerca do matrimônio. Sede, pois, os primeiros a dar exemplo, no exercício do vosso ministério, de leal acatamento, interno e externo, do Magistério da Igreja. Tal atitude obsequiosa, bem o sabeis, é obrigatória não só em virtude das razões aduzidas, mas sobretudo por motivo da luz do Espírito Santo, da qual estão particularmente dotados os Pastores da Igreja, para ilustrarem a verdade.(39) Sabeis também que é da máxima importância, para a paz das consciências e para a unidade do povo cristão, que, tanto no campo da moral como no do dogma, todos se atenham ao Magistério da Igreja e falem a mesma linguagem. Por isso, com toda a nossa alma, vos repetimos o apelo do grande Apóstolo São Paulo: "Rogo-vos, irmãos, pelo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos o mesmo e que entre vós não haja divisões, mas que estejais todos unidos, no mesmo espírito e no mesmo parecer".(40)
29. Não minimizar em nada a doutrina salutar de Cristo é forma de caridade eminente para com as almas. Mas, isso deve andar sempre acompanhado também de paciência e de bondade, de que o mesmo Senhor deu o exemplo, ao tratar com os homens. Tendo vindo para salvar e não para julgar,(41) Ele foi intransigente com o mal, mas misericordioso para com os homens.
No meio das suas dificuldades, que os cônjuges encontrem sempre na palavra e no coração do sacerdote o eco fiel da voz e do amor do Redentor.
Falai, pois, com confiança, diletos Filhos, bem convencidos de que o Espírito de Deus, ao mesmo tempo que assiste o Magistério no propor a doutrina, ilumina também internamente os corações dos fiéis, convidando-os a prestar-lhe o seu assentimento. Ensinai aos esposos o necessário caminho da oração, preparai-os para recorrerem com freqüência e com fé aos sacramentos da Eucaristia e da Penitência, sem se deixarem jamais desencorajar pela sua fraqueza.
Bibliografia
SCOLA, Angelo Card. O Mistério Nupcial. Bauru: Edusc, 2003
PAULO VI. Carta Encíclica Humane Vitae – sobre a regulação da natalidade. São Paulo: Paulinas, 2007