sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A sexualidade humana no contexto homem-mulher, co-participantes da criação divina

Amigos, paz!


Este texto foi apresentado em preparação à Semana de Prevenção das DST/AIDS que será organizada pela Pastoral da Saúde da Paróquia segundo as orientações da CNBB.

No dia dessa conferência (26/10//10), contamos com inúmeros membros de outras pastorais, além dos agentes da Pastoral da Saúde.



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A sexualidade humana no contexto homem-mulher, co-participantes da criação divina


Pe. Marcio Tadeu


Quando reportamos nossa reflexão à sexualidade, refletimos, na verdade, o dinamismo do Amor, a maneira como a comunicação criadora se manifesta nos limites da criação. A sexualidade representa uma dimensão original do homem e, por isso, é importante refleti-la com mais intensidade.

Assim, partimos da criação do homem-mulher, que é um ser complexo, como todos os outros seres criados, e não pode ser reduzido à simplicidade do Criador, pois se manifesta polarizado (homem-mulher), dentro da unidade criadora.

Tem-se, então, que a relação que quebra a polarização e aproxima os seres humanos na imitação da divindade é o encontro, a sexualidade, que possibilita ao homem imitar, dentro dos limites de criatura, a perfeita comunicação entre as pessoas da SS.ma Trindade.

O levantamento do autor sagrado do livro do Gênesis aponta a semelhança do homem-mulher a Deus, e pode facilitar nossa compreensão da sexualidade como na tese acima. Mas, por um lado, pode decorrer em grande engano, pois, mesmo semelhantes ao Criador, entre nós e Deus há um abismo intransponível, como entre o tudo e o nada.

Contudo, a relação entre Deus e a criatura se apresenta como um "eco" da relação interna, da SS.ma Trindade, que se caracteriza numa íntima fecundidade. O Próprio Espírito Santo vem em auxilio do homem-mulher para recompor a imagem teleológica impressa na criação por Deus e restabelecer a fecundidade trinitária na práxis (existência deontológica).

Para que isso verdadeiramente aconteça, o homem-mulher deve assumir constitutivamente o amor dentro da vontade divina, a fim de realizá-la em plenitude, possibilitando que homem e mulher se encontrem como imagem e contra-imagem e vice-versa, e se realizem na semelhança criadora.

Do interior da natureza humana emerge a diferenciação sexual, que constitui no homem-mulher uma unidade dual. Ninguém é feito separadamente, juntos, homem e mulher devem se realizar e celebrar sua imago Dei (teleológico). Por isso, o homem e a mulher não podem deixar de tender-se um ao outro (deontológico). A sexualidade é uma tensão colocada pelo próprio Criador que oportuniza a experiência relacional na humanidade, e faz brotar a fecundidade co-criadora do homem-mulher (dimensão unitiva-reprodutiva).

Ainda, é importante ressaltar que a união sexual elimina a experiência da criatura em si, inata no ser humano. Esta união revela a obrigação do "sair de si" e, dentro da ordenação criadora, encontrar-se com sua contra-imagem para, assim, celebrar o amor trinitário na condição de criatura (dimensão sacramental).

A compreensão do mistério da fecundidade humana reflete a qualidade da fecundidade divina, que cria o novo. O ser humano, deferente dos animais e plantas, porque produz, em sua fecundidade, algo singular, irrepetível, outro ser humano, imagem e semelhança de Deus.

Partindo dessa compreensão, leva-se luz às trevas equivocadas que muitos cristãos criam acerca do pecado original, acreditando que ele estaria ligado ao ato sexual de Adão e Eva. O encontro sexual homem-mulher faz com que eles se aproximem da qualidade divina da criação, tornando-os co­-criadores.

Ao repensar nossa vida aos moldes do criador, devemos ver como anda nossa sexualidade. Hoje, ela parece não estar mais vigorosamente envolvida pela totalidade da criação divina, já que, na maioria das vezes, tem sido confundida apenas com o ato sexual. Desta forma, o ato humano de comunicação plena, fornecido a nós por Graça, que deveria ser eco da relação inter-Trinitária, fica reduzido ao estado de vontade, poder e dominação, “coisificante”.

Deus nos chama a redimir a nossa sexualidade e, conseqüentemente, toda sexualidade humana. O sacramento do matrimônio manifesta essa redenção unitiva e reprodutiva, pois imita o mistério do casamento de Cristo com a Igreja. Por isso, homem e mulher devem viver esse mistério, e contemplá-lo em sua totalidade a fim de encontrar a plenitude de sua sexualidade, o Amor.

SELEÇÃO CARTA ENCÍCLICA “HUMANAE VITAE”

Paulo, PP. VI

Inseparáveis os dois aspectos: união e procriação

12. Esta doutrina, muitas vezes exposta pelo Magistério, está fundada sobre a conexão inseparável que Deus quis e que o homem não pode alterar por sua iniciativa, entre os dois significados do ato conjugal: o significado unitivo e o significado procriador.

Na verdade, pela sua estrutura íntima, o ato conjugal, ao mesmo tempo que une profundamente os esposos, torna-os aptos para a geração de novas vidas, segundo leis inscritas no próprio ser do homem e da mulher. Salvaguardando estes dois aspectos essenciais, unitivo e procriador, o ato conjugal conserva integralmente o sentido de amor mútuo e verdadeiro e a sua ordenação para a altíssima vocação do homem para a paternidade. Nós pensamos que os homens do nosso tempo estão particularmente em condições de apreender o caráter profundamente razoável e humano deste princípio fundamental.

AOS SACERDOTES

28. Diletos filhos sacerdotes, que por vocação sois os conselheiros e guias espirituais das pessoas e das famílias, dirigimo-nos agora a vós, com confiança. A vossa primeira tarefa - especialmente para os que ensinam a teologia moral - é expor, sem ambigüidades, os ensinamentos da Igreja acerca do matrimônio. Sede, pois, os primeiros a dar exemplo, no exercício do vosso ministério, de leal acatamento, interno e externo, do Magistério da Igreja. Tal atitude obsequiosa, bem o sabeis, é obrigatória não só em virtude das razões aduzidas, mas sobretudo por motivo da luz do Espírito Santo, da qual estão particularmente dotados os Pastores da Igreja, para ilustrarem a verdade.(39) Sabeis também que é da máxima importância, para a paz das consciências e para a unidade do povo cristão, que, tanto no campo da moral como no do dogma, todos se atenham ao Magistério da Igreja e falem a mesma linguagem. Por isso, com toda a nossa alma, vos repetimos o apelo do grande Apóstolo São Paulo: "Rogo-vos, irmãos, pelo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos o mesmo e que entre vós não haja divisões, mas que estejais todos unidos, no mesmo espírito e no mesmo parecer".(40)

29. Não minimizar em nada a doutrina salutar de Cristo é forma de caridade eminente para com as almas. Mas, isso deve andar sempre acompanhado também de paciência e de bondade, de que o mesmo Senhor deu o exemplo, ao tratar com os homens. Tendo vindo para salvar e não para julgar,(41) Ele foi intransigente com o mal, mas misericordioso para com os homens.

No meio das suas dificuldades, que os cônjuges encontrem sempre na palavra e no coração do sacerdote o eco fiel da voz e do amor do Redentor.

Falai, pois, com confiança, diletos Filhos, bem convencidos de que o Espírito de Deus, ao mesmo tempo que assiste o Magistério no propor a doutrina, ilumina também internamente os corações dos fiéis, convidando-os a prestar-lhe o seu assentimento. Ensinai aos esposos o necessário caminho da oração, preparai-os para recorrerem com freqüência e com fé aos sacramentos da Eucaristia e da Penitência, sem se deixarem jamais desencorajar pela sua fraqueza.

Bibliografia

SCOLA, Angelo Card. O Mistério Nupcial. Bauru: Edusc, 2003

PAULO VI. Carta Encíclica Humane Vitae – sobre a regulação da natalidade. São Paulo: Paulinas, 2007

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

XIII SIMPÓSIO DE GENÉTICA - IBILCE/UNESP

Hoje, pela manhã, participei como convidado do XIII SIMPÓSIO DE GENÉTICA - IBILCE/UNESP.
Em Novembro de 2004, quando ainda cursava o ultimo ano de Filosofia, iniciei meus trabalhos em Bioética como membro de uma "Mesa-redonda" do mesmo evento.

Segue o site do Simpósio e as informações da participação.

http://www.eventos.ibilce.unesp.br/simposiogenetica/princ/index.php


RODA VIVA: Construção de organismos que a natureza não fez, mas a sociedade precisa
Data:
11 de novembro de 2010 (Quinta-feira) - 08h00
Descrição:
Convidado: Prof. Dr. Gonçalo Amarante Guimarães Pereira (UNICAMP/Campinas)

Resumo:
A engenharia genética é uma poderosa ferramenta na modificação de organismos. Uma nova área conhecida como biologia sintética utiliza a engenharia genética através da recombinação de materiais genéticos de organismos existentes na natureza, criando organismos capazes de sintetizar uma variedade de compostos de interesse para o homem. Essa nova era na biotecnologia pode causar uma revolução nos processos industriais integrando as diversas áreas de conhecimento.

Participante 1: Padre Márcio Tadeu Reibert Alves de Camargo (Ex-integrante do Comitê de Ética em Pesquisa UNESP/São José do Rio Preto)

Participante 2: Prof. Dr. Raghuvir Krishnaswamy Arni (UNESP/ São José do Rio Preto)

Participante 3: Prof.ª Dr.ª Eny Maria Goloni Bertollo (FAMERP/São José do Rio Preto)

Moderador: M.Sc. Elias Alberto Gutierrez Carnelossie (UNESP/São José do Rio Preto)

Local: Auditório A

Links com informações sobre o tema da Roda Viva:
http://revistapesquisa.fapesp.br/?art=4154&bd=1&pg=1
http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u738110.shtml
http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/738504-obama-pede-estudo-sobre-implicacoes-da-criacao-de-celula-sintetica.shtml
http://www.youtube.com/watch?v=QHIocNOHd7A&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=PqbA7YSrv7g&feature=related





quarta-feira, 10 de novembro de 2010


RETIRO DAS ENS EM GOIÂNIA


Nos dias 30 e 31 de Outubro, estive na linda cidade de Goiânia, assessorando um retiro para casais membros das Equipes de Nossa Senhora.



Juntos em uma só oração, revisamos nossa vida de pessoa, de casal e de Equipe. E, com a graça do Espírito Santo, planejamos uma nova caminhada espiritual trilhada pelos Pontos Concretos de Esforço, a proposta mistagógica do Movimento das ENS.